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segunda-feira, 29 de maio de 2017

LUTERO SUICIDOU? CAUSA DA MORTE DE LUTERO

Se propaga uma LENDA na internet que Lutero se ENFORCOU!!

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Lutero morreu de morte natural e não por enforcamento, como se propaga na Internet:

A ENCICLOPEDIA CATÓLICA exclarece: 


Convocado para Eisleben, seu lugar nativo, pouco tempo depois, para atuar como um árbitro em uma disputa entre os irmãos Albrecht e Gebhard von Mansfeld, a morte veio com velocidade inesperada, mas não de repente, e ele partiu esta vida cerca de três horas em Na manhã de 18 de fevereiro de 1546, na presença de vários amigos. O corpo foi levado para Wittenberg para sepultamento, e foi enterrado no dia 22 de fevereiro, na igreja do castelo, onde agora se encontra com a de Melanchton .http://www.newadvent.org/cathen/09438b.htm

"dois amigos que os assistem em seus últiimos momentos perguntam-lhe em voz alta: Reverendo padre, quereis morrer, apoiado em Cristo e na doutrina que ensinastes? Sim responde Lutero. É sua última palava" (Do cativeiro Babilônico da Igreja-Dados Biograficos. São Paulo:Martin Claret., 2011,p. 159) 

O site indicado pela Encyclopædia Britannica, inc. em https://www.britannica.com/biography/Martin-Luther diz:

"1546 Lutero faleceu depois de sofrer de cálculos renais, catarata, artrite e doença de Meniere"
http://www.heritage-history.com/index.php?c=academy&s=char-dir&f=luther
A casa onde Martin Luther morreu, Eisleben, Ger.
A casa oCasa de Lutero em Eisleben, Alemanha.


Martin Luther, óleo no painel por Lucas Cranach, 1529;  No Uffizi, Florença.
Martin Luther, oil on panel by Lucas Cranach, 1529; in the Uffizi, Flence.
BIBLIOGRAFIA:
Do cativeiro Babilônico da Igreja-Dados Biograficos. São Paulo:Martin Claret., 2011
https://www.britannica.com/biography/Martin-Luther
http://www.heritage-history.com/index.php?c=academy&s=char-dir&f=luther

sábado, 27 de maio de 2017

TEOLOGIA DA REFORMA E SEUS PILARES -Os 500 anos da Reforma

INTRODUÇÃO
A Reforma Protestante foi um movimento religioso que visou  trazer a igreja à pureza original do cristianismo conforme o Novo Testamento . Depois do pentecostes, a Reforma do séc. VIfoi o maior movimento espiritual ocorrido na Igreja. Representou uma volta à Bíblia, ao ensino dos apóstolos, por isso a rejeição total a qualquer doutrina sem base nas Escrituras.

CAUSAS DA REFORMA

CAUSAS POLÍTICAS/ECONOMICAS-  Os Estados Nacionais

Começou a surgir na Europa um espírito nacionalista se opondo à centralização estrangeira imposta pela igreja católica . Esse movimento era diferente das lutas medievais entre papas e imperadores. O patriotismo dos povos começou a manifestar-se, mostrando-se inconformados com a autoridade estrangeira sobre suas próprias igrejas nacionais; resistindo à nomeação de bispos, abades e dignitários da igreja feitas por um papa que vivia em um país distante. Não se conformava, o povo, com a contribuição do "óbolo de S. Pedro", para sustentar o papa e para a construção de majestosos templos em Roma. Havia uma determinação de reduzir o poder dos concílios eclesiásticos, colocando o clero sob o poder das mesmas leis e tribunais que serviam para os leigos. Esse espírito nacionalista era um sustentáculo do movimento da Reforma. Além disso esse nacionalismo se opunha ao envio de dinheiro à Igreja Católica em Roma, especialmente incitado pela nova classe social a burguesia.

CAUSAS INTELECTUAIS - Renascença
Durante a Idade Média o interesse dos estudiosos havia sido orientado para a verdade religiosa, com a filosofia relacionada com a religião. Os principais pensadores e escritores eram homens pertencentes à igreja. Porém, no período da Renascença, surgiu um novo interesse pela literatura clássica, pelo grego e pelo latim, pelas artes, de forma inteiramente separada da religião. Por via de tal interesse, apareceram os primeiros vislumbres da ciência moderna. Os dirigentes do movimento, de modo geral, não eram sacerdotes nem monges, e sim leigos, especialmente na Itália, onde teve início a Renascença, não como um movimento religioso, mas literário; não abertamente anti-religioso, porém cético e investigador. A maioria dos estudiosos italianos desse período eram homem destituídos de vida religiosa; até os próprios papas  (Nicolau V (1447-1455), Júlio II (1441-1513), Leão X (1475-1521)dessa época destacavam-se mais por sua cultura do que pela fé. 

No norte dos Alpes, na Alemanha, na Inglaterra, e na França o movimento possuía sentimento religioso, despertando novo interesse pelas Escrituras, pelas línguas grega e hebraica, levando o povo a investigar os verdadeiros fundamentos da fé, independente dos dogmas de Roma; destacaram-se Erasmo (1466-1536) que publicou um Novo Testamento grego em  1516 e o livro O Elogio da Loucura (1510), além de outras obras importantes. Por toda parte, de norte a sul, a Renascença solapava a igreja católica romana.

CAUSAS MORAIS

  • venda de cargos eclesiásticos
  • casamentos ilicitos de sacerdotes
  • prostituição do clero

CAUSAS TECNOLÓGICAS

Em 1455, em Mogúncia, no Reno, o alemão Johann Gutenberg desenvolveu a tipografia - processo de impressão com tipos móveis de metal- cuja difusão contribuiu para aumentar a produção de livros, entre eles a BÍBLIA, que podia chegar as mãos de um número maior de pessoas e fieis. Isso favoreceu o surgimento de novas interpretações dos textos cristãos, nem sempre em harmonia com a Igreja Católica. Com isso a invenção da imprensa veio a ser um arauto e aliado da Reforma que se aproximava.  Antes de se inventar a imprensa, os livros eram copiados a mão. Uma Bíblia, na Idade Média, custava o salário de um ano de um operário. É muito significativo o fato de o primeiro livro impresso por Gutemberg haver sido a Bíblia, demonstrando, assim, o desejo dessa época. A imprensa possibilitou o uso comum das Escrituras, e incentivou a tradução e a circulação da Bíblia em todos os idiomas da Europa. As pessoas que liam a Bíblia, prontamente se convenciam de que a igreja papal estava muito distanciada do ideal do Novo Testamento. Os novos ensinos dos Reformadores, logo que eram escritos, também eram logo publicados em livros e folhetos, e circulavam aos milhões em toda a Europa.



CAUSAS TEOLÓGICAS
 Enquanto o espírito de reforma e de independência despertava a Europa, a chama desse movimento começou a arder primeiramente na Alemanha, no eleitorado da Saxônia, sob a direção de Martinho Lutero, monge e professor da Universidade de Wittenberg.

A-Venda de Indulgências
O papa reinante, Leão X, em razão da necessidade de avultadas somas para terminar as obras da Basílica de S. Pedro em Roma, permitiu que um seu enviado, João Tetzel, percorresse a Alemanha vendendo bulas, assinadas pelo papa, as quais, dizia, possuíam a virtude de conceder perdão de todos os pecados, não só aos possuidores da bula, mas também aos amigos, mortos ou vivos, em cujo nome fossem as bulas compradas, sem necessidade de confissão, nem absolvição pelo sacerdote. Tetzel fazia esta afirmação ao povo: "Tão depressa o vosso dinheiro caia no cofre, a alma de vossos amigos subirá do purgatório ao céu." Lutero, por sua vez, começou a pregar contra Tetzel e sua campanha de venda de indulgências, denunciando como falso esse ensino.

 Na manhã do dia 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero afixou na porta da Catedral de Wittenberg um pergaminho que continha noventa e cinco teses ou declarações, quase todas relacionadas com a venda de indulgências; porém em sua aplicação atacava a autoridade do papa e do sacerdócio. Os dirigentes da igreja procuravam em vão restringir e lisonjear Martinho Lutero. Ele, porém, permaneceu firme, e os ataques que lhe dirigiam, apenas serviram para tornar mais resoluta sua oposição às doutrinas não apoiadas nas Escrituras Sagradas. Após longas e prolongadas controvérsias e a publicação de folhetos que tornaram conhecidas as opiniões de Lutero em toda a Alemanha, seus ensinos foram formalmente condenados. 

Lutero foi excomungado por uma bula 6 do papa Leão X, no mês de junho de 1520. Pediram então ao eleitor Frederico da Saxônia que entregasse preso Lutero, a fim de ser julgado e castigado. Entretanto, em vez de entregar Lutero, Frederico deu-lhe ampla proteção, pois simpatizava com suas idéias. Martinho Lutero recebeu a excomunhão como um desafio, classificando-a de "bula execrável do anticristo". No dia 10 de dezembro, Lutero queimou a bula, em reunião pública, à porta de Wittemberg, diante de uma assembléia de professores, estudantes e do povo. Juntamente com a bula, Lutero queimou também cópias dos cânones ou leis estabelecidas por autoridades. Os decretos do papa chamavam-se "bulas"; a palavra bula quer dizer "selo". O nome é aplicado a qualquer documento selado com selo oficial. romanas. Esse ato constituiu a renúncia definitiva de Lutero à igreja católica romana. 

Em 1521 Lutero foi citado a comparecer ante a Dieta do Concílio Supremo do Reno. O novo imperador Carlos V concedeu um salvo-conduto a Lutero, para comparecer em Worms. Apesar de advertido por seus amigos de que poderia ter a mesma sorte de João Huss, que nas mesmas circunstâncias, no Concílio de Constança, em 1415, apesar de possuir um salvo-conduto, foi morto por seus inimigos, Lutero respondeu-lhes: "Irei a Worms ainda que me cerquem tantos demônios quantas são as telhas dos telhados." Finalmente, no dia 17 de abril de 1521 Lutero compareceu ante a Dieta, presidida pelo imperador. Em resposta a um pedido de que se retratasse, e renegasse o que havia escrito, após algumas considerações respondeu que não podia retratar-se, a não ser que fosse desaprovado pelas Escrituras e pela razão, e terminou com estas palavras: "Aqui estou. Não posso fazer outra coisa. Que Deus me ajude. Amém." Instaram com o imperador Carlos para que prendesse Lutero, apresentando como razão, que a fé não podia ser confiada a hereges. 

Contudo, Lutero pôde deixar Worms em paz. Enquanto viajava de regresso à sua cidade, Lutero foi cercado e levado por soldados do eleitor Frederico para o castelo de Wartzburg, na Turíngia. Ali permaneceu Lutero guardado, em segurança e disfarçado, durante um ano, enquanto as tempestades de guerra e revoltas rugiam no império. Entretanto, durante esse tempo, Lutero não permaneceu ocioso; nesse período traduziu o Novo Testamento para a língua alemã, obra que por si só o teria imortalizado, pois essa versão é considerada como o fundamento do idioma alemão escrito. Isto aconteceu no ano de 1521. O Antigo Testamento só foi completado alguns anos mais tarde. Ao regressar do castelo de Wartzburg a Wittenberg, Lutero reassumiu a direção do movimento a favor da igreja Reformada, exatamente a tempo de salvá-la de excessos extravagantes. A divisão dos vários estados alemães, em ramos Reformados e romanos, deu-se entre o Norte e o Sul. Os príncipes meridionais, dirigidos pela Áustria, aderiram a Roma, enquanto os do Norte se tornaram seguidores de Lutero. Em 1529 a Dieta reuniu-se na cidade de Espira, com o objetivo de reconciliar as partes em luta. Nessa reunião da Dieta os governadores católicos, que tinham maioria, condenaram as doutrinas de Lutero. Os príncipes resolveram proibir qualquer ensino do luteranismo nos estados em que dominassem os católicos. Ao mesmo tempo determinaram que nos estados em que governassem luteranos, os católicos poderiam exercer livremente sua religião. Os príncipes luteranos protestaram contra essa lei desequilibrada e odiosa. Desde esse tempo ficaram conhecidos como protestantes, e as doutrinas que defendiam também ficaram conhecidas como religião protestante.

b-Comercio de Relíquias sagradas
Todo tipo de relíquias sagradas eram vendidas como pregos, pedaços da cruz, etc.


CAUSAS TECNOLÓGICAS
A utilização da imprensa potencializou a divulgação de bíblias, panfletos e livros fazendo com queas idéias reformistas fossem propagadas de forma intensa e barata. 



BIBLIOGRAFIA:
A História da Civilização VI- A Reforma. Will Durant. 2ª edição. Editora Record
História Ilustrada do Cristianismo. Vol. 1. Justo L. Gonzalez. São paulo: Vida Nova, 2ª edição, 2011.
O Cristianismo através dos séculos. Earle E. Cairns. São Paulo: Vida Nova. 2ª edição, 1998.
http://www.newadvent.org/cathen/13490a.htm


http://www.solanoportela.net/artigos/savonarola.htm
https://www.britannica.com/biography/Girolamo-Savonarola


PRECURSORES DA REFORMA

John Wycliffe ( Wycliff, Wyclif, Wicliffe ouWiclif) 

John Wycliffe.



  • nasceu em 1330 , Yorkshire , Inglaterra , morreu 31 de dezembro de 1384 , Lutterworth, Leicestershire ),
  •   era um teólogo Inglês, filósofo, reformador, e promotor da primeira tradução completa da 
    Bíblia para o inglês.
  • Ele foi um dos precursores da Reforma Protestante . As teorias político-eclesiásticas que ele desenvolveu exigiram que a igreja desistisse de suas posses mundanas, pois dizia só é legítimo o senhorio humano que se dedica a servir
  • como a igreja estava em pecado, deveria renunciar a suas posses e retornar à pobreza evangélica
  • em 1378 ele iniciou um ataque sistemático às crenças e práticas da igreja. 
  • Recebeu uma comissão real  para discutir com os representantes papais em Bruges as diferenças pendentes entre Inglaterra e Roma, tais como impostos papais e nomeações para cargos na igreja. 
  • defendia o sacerdócio universal de todos os cristãos
  • defendia que o Estado deveria ter posse de toda propriedade eclesiástica
  • negou a confissão auricular
  • negou  a doutrina das indulgências
  • negou a salvação pelas obras ao defender a doutrina da predestinação de Agostinho
  • defendia uma propriedade comunitária dos cristãos
  • denunciou os pecados mundanos do clero
  • rejeitou o Papa como supremo pontífice
  • rejeitou a transubstanciação
"Mas a maioria dos estudiosos concorda que Wycliffe era um homem virtuoso. Orgulhoso e equivocado como ele às vezes era, ele dá uma impressão geral de sinceridade. Decepcionado como ele pode ter sido sobre o seu fracasso em receber lugares da igreja desejável, o seu ataque à igreja não foi simplesmente nascido da raiva. Ele carregava as marcas de seriedade moral e um desejo genuíno de reforma. Ele se colocou contra a maior organização do mundo porque acreditava sinceramente que a organização estava errada e, se dissesse isso em termos abusivos, tinha a graça de confessá-lo."   https://www.britannica.com/biography/John-Wycliffe  08/05/2017

BIBLIOGRAFIA:
https://www.britannica.com/biography/John-Wycliffe  08/05/2017
A História da Civilização VI- A Reforma. Will Durant. 2ª edição. Editora Record
História Ilustrada do Cristianismo. Vol. 1. Justo L. Gonzalez. São paulo: Vida Nova, 2ª edição, 2011.


O Cristianismo através dos séculos. Earle E. Cairns. São Paulo: Vida Nova. 2ª edição, 1998.


 JOHN HUSS
Nasceu em Husinec , República Checa. Morreu em 6 de julho de 1415 Konstanz , Alemanha








Jan Hus ( John Huss )(nascido c. 1370 , Husinec, Bohemia[agora na República Checa] - morreu em 06 de julho de 1415 , Konstanz [Constança na Alemanha]). Foi o reformador mais importante do século 15 . Antecipou a Reforma Luterana por um século. Ele foi envolvido na amarga controvérsia do Cisma Ocidental (1378-1417) para toda a sua carreira, e ele foi condenado por heresia no Conselho de Constança e queimado na fogueira.

Vida e Carreira Docente


Hus nasceu de pais pobres em Husinec no sul da Boêmia, de onde tomou seu nome. Cerca de 1390 ele se matriculou na Universidade de Praga , e dois anos após sua formatura em 1394 (Bacharel em artes ele recebeu um mestrado 1396 e começou a ensinar na universidade. Ele foi ordenado um padre em 1400 e tornou-se reitor da universidade 1402-1403.

Hus estudou as obras de Wycliffe e depois seus escritos teológicos, que foram introduzidos em Praga em 1401.Quando Ricardo II da Inglaterra se casou com Ana da boemia, os estudantes desta região começaram a se dirigir para a Inglaterra para estudar. Ao retornarem  levaram as idéias de Wycliffe com eles.  Hus foi influenciado pelos princípios subjacentes de Wycliffe, embora nunca tenha aceitado suas implicações extremas e ficou particularmente impressionado com as propostas de Wycliffe para a reforma do clero católico romano. A propriedade clerical possuía cerca de metade de toda a terra na Boêmia, e a grande riqueza e as práticas simoníacas do clero mais alto despertavam ciúme e ressentimento entre os pobres sacerdotes. O campesinato boêmio, também, ressentido a igreja como um dos mais pesados ​​impostos . Havia assim uma grande base potencial de apoio para qualquer movimento de reforma da igreja num momento em que a autoridade do papado em si era desacreditada pelo Cisma Ocidental.Tentativas de reforma foram feitas pelo rei boêmio Carlos IV, e as obras de Wycliffe foram a arma escolhida do movimento de reforma nacional fundado por Jan Milíč de Kroměříž (1374). Líder Do Movimento De Reforma Da República Checa.


Em 1391, os alunos de Milíč fundaram a Capela de Belém (Bethlehem )em Praga, onde os sermões públicos eram pregados em tcheco (e não em latim) no espírito do ensino de Milíc̆. A partir de 1402 Hus era o responsável pela capela, que se tornara o centro do crescente movimento de reforma nacional na Boêmia. Ele se tornou cada vez mais absorvido na pregação pública e acabou emergindo como o líder popular do movimento.Apesar de seus deveres extensos na capela de Bethlehem, Hus continuou a ensinar na faculdade da universidade das artes e transformou-se um candidato para o grau do doutor na teologia . Hus também se tornou o conselheiro do jovem nobre Zbyněk Zajíc de Hazmburk quando Zbyněk foi nomeado arcebispo de Praga em 1403, um movimento que ajudou a dar ao movimento de reforma uma fundação mais firme



Em 1403, um mestre universitário alemão, Johann Hübner, elaborou uma lista de 45 artigos, presumivelmente selecionados dos escritos de Wycliffe, e os condenou como heréticos. Porque os mestres alemães tinham três votos e os mestres checos apenas um, os alemães facilmente derrotaram os tchecos, e os 45 artigos foram doravante considerados um teste de ortodoxia. A acusação principal contra o ensino de Wycliffe foi seu Remanência - ou seja, que o pão e o vinho na Eucaristia retêm sua substância material. Wycliffe também declarou que as Escrituras são a única fonte da doutrina cristã. Hus não compartilhava todos os pontos de vista radicais de Wycliffe, como o da remanência, mas vários membros do partido da reforma fizeram, entre eles o professor de Hus,Stanislav de Znojmo, e seu companheiro estudante, Štěpán Páleč.


Durante os primeiros cinco anos do reinado de Zbyněk como arcebispo de Praga, sua atitude em relação ao "partido evangélico" mudou radicalmente. Os oponentes da reforma o conquistaram e, em 1407, conseguiram acusar Stanislav e Páleč de heresia, e foram citados à Cúria Romana para serem examinados. Os dois homens retornaram completamente mudados em suas visões teológicas e tornaram-se os principais adversários dos reformadores. Assim, exatamente quando Hus surgiu na vanguarda do movimento de reforma, ele entrou em conflito com seus antigos amigos.

Hus E Os Cisma Ocidental
Desde 1378 a Igreja Católica Romana foi dividida pelo Cisma Ocidental, durante o qual a jurisdição papal foi dividida entre dois papas. Como líder da reforma, Hus, sem hesitar, brigou com o arcebispo Zbyněk quando este se opôs ao Conselho de Pisa (1409), que foi chamado para destronar os papas rivais e para reformar a igreja. O conselho tinha o apoio dos mestres checos na Universidade de Praga, enquanto os mestres alemães se opunham a ele. Os mestres alemães, que tinham maioria votante em assuntos universitários, apoiaram o arcebispo, que tão enfurecido Rei Wenceslas que em janeiro de 1409 subverteu a constituição da universidade concedendo os mestres checos três votos cada um e os alemães somente um; O resultado foi uma emigração em massa dos alemães de Praga para várias universidades alemãs. No outono de 1409 Hus foi eleito reitor da universidade agora dominada pelos checos.


A ruptura final entre o Arcebispo Zbyněk e Hus ocorreu quando o Conselho de Pisa depôs tanto o Papa Gregório XII , cuja autoridade foi reconhecida na Boêmia, eo antipapa Bento XIII e em seu lugar foi eleito Alexander V . Os papas depostos, entretanto, mantiveram a jurisdição sobre porções de Europa ocidental; Assim, em vez de dois, havia três papas. O arcebispo e o clero da Boêmia permaneceram fiéis a Gregório, enquanto Hus e o partido da reforma reconheceram o novo papa. Depois de ser forçado pelas medidas punitivas do rei a reconhecer Alexandre V como o papa legítimo , o arcebispo, através de um grande suborno, induziu Alexander a proibir a pregação em capelas privadas, incluindo a Capela de Belém. Hus se recusou a obedecer à ordem do papa, e Zbyněk o excomungou. Apesar de sua condenação, Hus continuou a pregar na Capela de Belém e a ensinar na Universidade de Praga. Zbyněk foi finalmente forçado pelo rei a prometer Hus seu apoio antes da Cúria Romana, mas ele morreu de repente em 1411, e a liderança dos inimigos de Hus passou para a própria Curia.


Em 1412, o caso da heresia de Hus, que tinha sido tacitamente abandonado, foi revivido por causa de uma nova disputa sobre a venda de Indulgências que tinham sido emitidas pelo sucessor de Alexandre, o antipapa João XXIII , para financiar sua campanha contra Gregório XII.Sua venda na Boêmia despertou indignação geral, mas tinha sido aprovado pelo rei Wenceslas, que, como de costume, compartilhado no produto. Hus denunciou publicamente essas indulgências diante da universidade e, ao fazê-lo, perdeu o apoio de Wenceslas. Isso seria fatal para ele. Os inimigos de Husrenovaram então seu julgamento na Cúria, onde foi declarado sob grande excomunhão por se recusar a aparecer e um interdito foi pronunciado sobre Praga ou qualquer outro lugar onde Hus pudesse residir, negando assim certos sacramentos da igreja a comunicantes na área interditada . A fim de poupar a cidade as conseqüências, Hus voluntariamente deixou Praga em outubro de 1412. Ele encontrou refúgio principalmente no sul da Boêmia nos castelos de seus amigos, e durante os próximos dois anos ele envolveu na atividade literária febril. Seus inimigos, particularmente Stanislav e Páleč, escreveram um grande número de tratados polêmicos contra ele, que ele respondeu de uma maneira igualmente vigorosa. O mais importante de seus tratados foi De ecclesia (A Igreja ). Ele também escreveu um grande número de tratados em tcheco e uma coleção de sermõesintitulada Postilla .

O Julgamento Final


Com o cisma ocidental continuando sem Sigismundo da Hungria, como o recém-eleito (1411), rei da Alemanha , viu uma oportunidade de ganhar prestígio como o restaurador da unidade da igreja. Ele forçou João XXIII a Conselho de Constança para encontrar uma solução final do cisma e para pôr fim a todas as heresias. Sigismund, portanto, enviou um emissário para convidar Hus para comparecer ao conselho para explicar suas opiniões - um convite que Hus, naturalmente, estava relutante em aceitar. Mas quando John ameaçou o rei Wenceslas por não-conformidade com o interdito, e depois de Sigismundo ter assegurado Hus de salvo-conduto para a viagem para Constance e para trás (não importa qual seja a decisão), Hus finalmente consentiu em ir.


Ele partiu para Constance, mas não recebeu o salvo-conduto até dois dias depois de sua chegada lá, em novembro de 1414. Pouco depois de chegar em Constance, ele foi, com o consentimento tácito de Sigismundo, preso e colocado em estreito confinamento, do qual ele nunca emergiu. Os inimigos de Hus conseguiram tê-lo julgado perante o Concílio de Constança como um herege de Wycliffite. Tudo o que a séria intervenção dos nobres boêmios conseguiu para ele foi três audiências públicas, nas quais ele foi autorizado a defender-se e conseguiu refutar algumas das acusações contra ele. O conselho instou Hus a retrair-se, a fim de salvar sua vida, mas para a maioria de seus membros ele era um herético perigoso apto apenas para a morte.Quando ele se recusou a se retratar, ele foi solenemente condenado em 6 de julho de 1415, e queimado na fogueira.





Jan Hus em confinamento.

Houve muita disputa sobre a extensão em que Hus estava em dívida com Wycliffe por suas crenças teológicas. Em Constança ele se recusou a submeter-se à exigência do conselho de que ele rejeitava inteiramente Wycliffe e, sem dúvida, apoiou a doutrina da predestinação e defendeu a supremacia da autoridade bíblica sobre a da Igreja Católica. Os pontos de vista de Hus também podem ser interpretados como o culminar do movimento de reforma nacional checa. Seus seguidores e os reformadores religiosos bohemios subseqüentes adotaram o nome Hussitas.


Durante seu exílio em 1412-14, Hus substituiu sua pregação popular em Praga uma série de escritos em checo; Estes tornaram-se clássicos do Checo e são igualmente importantes na história da língua checa , porque Hus desenvolveu uma ortografia nova e mais simples. O mais importante destes trabalhos é o seu popular trecho Vyklad viery, desatera a patere ("Exposição da Fé, dos Dez Mandamentos e da Oração do Senhor"). Os escritos de Hus, em tcheco e latim, incluem outros tratados religiosos, tratados e palestras, coleções de seus sermões e cartas pessoais. Matthew SpinkaFrantišek M. Bartoš

Os Morávios
Os discipulos mais radicais de Huss forma conhecidos como Taboritas, e alguns deles formaram o grupo conhecido como Irmãos Unidos ou Irmãos Boêmios em meados do sec. XV. Foi deste grupo que saiu a Igreja Morávia uma importante igreja missionária de toda história da igreja cristã, e foram os Morávios que exerceram muita influência sobre John Wesley.



BIBLIOGRAFIA
A História da Civilização VI- A Reforma. Will Durant. 2ª edição. Editora Record
História Ilustrada do Cristianismo. Vol. 1. Justo L. Gonzalez. São paulo: Vida Nova, 2ª edição, 2011.
O Cristianismo através dos séculos. Earle E. Cairns. São Paulo: Vida Nova. 2ª edição, 1998.
http://www.newadvent.org/cathen/04288a.htm  Catholic Encyclopedia 


JERONIMO SAVONAROLA

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Estátua de Savonarola em Ferrara, Italia.


Jerônimo Savonarola (nascido em 1452) foi um monge da Ordem dos Dominicanos, a partir de 1474 em Florença, Itália, e chegou a ser prior do Mosteiro de S. Marcos. Pregava, tal qual um dos profetas antigos, contra os males sociais, eclesiásticos e políticos de seu tempo. A grande catedral enchia-se até transbordar de multidões ansiosas, não só de ouvi-lo, mas também para obedecer aos seus ensinos.

 Durante muito tempo foi praticamente o ditador de Florença onde efetuou evidente reforma, logo a após  França tomar a Itália. Na realidade o povo passou a olhar os franceses como os cumpridores das profecias de Savonarola. Os embaixadores liderados por Savonarola conseguiram expressar ao rei invasor os mesmos sentimentos presentes na população de Florença — que o rei era um instrumento nas mãos de Deus para que efetivasse o castigo da nação, pelos seus crimes. Savonarola ganhou o respeito do rei e o acordo de que ele apenas passaria pela cidade sem causar-lhe dano. 

Depois de não se sujeitar ao Papa foi excomungado. Foi preso, condenado enforcado e seu corpo queimado na praça de Florença. Seu martírio deu-se em 1498, apenas dezenove anos antes que Lutero pregasse as teses na porta da catedral de Wittenberg

"... De 1493 Savonarola falou com o aumento da violência contra os abusos na vida eclesiástica , contra a imoralidade de uma grande parte do clero , sobretudo contra o imoral vida de muitos membros da Curia Romana  , até mesmo do portador da coroa papal , Alexandre VI , E contra a maldade dos príncipes e cortesãos. Enquanto isso, Savonarola voltou a entrar no púlpito em 11 de outubro para despertar os florentinos contra Pietro de Medici e, em 11 de fevereiro , a Signoria de Florença proibiu de fato o dominicano a pregar novamente . Savonarola retomou seus sermões no dia 17 de fevereiro e foi, assim, injustificadamente desobediente à autoridade eclesiástica. Nesses sermões de quaresma ele violentamente chicoteou os crimes de Roma , aumentando assim a excitação apaixonada em Florença . Um cisma ameaçou e o papa foi novamente forçado a interpor. Em 7 de novembro de 1496, os mosteiros dominicanos de Roma e Toscana foram formados em uma nova congregação, cujo primeiro vigário foi o Cardeal Caraffa . Mesmo assim Savonarola recusou obediência e novamente durante a Quaresma de 1497 pregado com descontrolada violência contra a Igreja em Roma . Em 12 de maio de 1497, foi excomungado ...No início Savonarola foi cheio de zelo , piedade e auto-sacrifício para a regeneração da vida religiosa . Ele foi levado a ofender contra essas virtudes por seu fanatismo , obstinação e desobediência. Ele não era um herege em questões de fé . A ereção de sua estátua ao pé da de Lutero monumento em Worms como um reputado "precursor da Reforma " é totalmente injustificada." http://www.newadvent.org/cathen/13490a.htm

Precursor de Lutero? Pré-reformador?

Savonarola foi um reformador no sentido de que ele batalhou por pureza moral e lutou contra os males sociais de seu tempo. 
Com relação à igreja, ele conclamava a uma mudança de costumes e práticas, denunciando os erros morais do clero.
Na esfera política e legal, ele também foi um reformador pois teve o papel principal no estabelecimento de uma nova forma de governo na cidade de Florença, consideravelmente distinta da anterior.

"Savonarola, entretanto, não pode ser considerado um pré-reformador ou mesmo um reformador eclesiástico no sentido em que o termo tem sido aplicado a Huss, Lutero ou Calvino. No estrito senso da palavra, um reformador deveria ter contribuído de alguma maneira para o restabelecimento das doutrinas bíblicas, ter tido parte ativa na remoção do entulho das tradições humanas que soterraram as verdades da Palavra de Deus. A questão de restauração doutrinária excede à demonstração de um mero zelo moral e sociológico que se apresentam como as características principais de Savonarola. Ela excede até a expressão de intensa sinceridade pessoal, que ele aparentemente possuía....no final de sua vida ele escreveu um folheto sobre o Salmo 51 no qual se aproxima consideravelmente da doutrina bíblica (e protestante) da justificação pela fé, mas aí ele já não exercia tanta influência e no máximo o trabalho registra a sua postura pessoal perante essas verdades. Lutero publicou este folheto com um prefácio elogioso.63 " http://www.solanoportela.net/artigos/savonarola.htm


"Girolamo Savonarola , nascido em 21 de setembro de 1452 , Ferrara , Ducado de Ferrara - morreu em 23 de maio de 1498 , Florença), pregador cristão italiano, reformador e mártir , famoso por seu choque com governantes tirânicos e umClero corrupto. Após a derrubada dos Medici em 1494, Savonarola era o único líder de Florença, estabelecendo uma república democrática. Seus principais inimigos eram o Duque de Milão eo Papa Alexandre VI, que emitiu inúmeras restrições contra ele, todos os quais foram ignorados.

Primeiros Anos.

Girolamo Savonarola nasceu em Ferrara, filho de Niccolò Savonarola e de Elena Bonaccorsi. Ele foi educado por seu avô paterno, Michele, um médico célebre e um homem de rígidos princípios morais e religiosos. A partir deste estudioso idosos, cuja própria educação era do século 14, Savonarola pode ter recebido algumas medievais influências. Em suas primeiras poesias e outros escritos de adolescentes, as principais características do futuro reformador são vistas. Mesmo naquela data inicial, como ele escreveu numa carta a seu pai, ele não podia sofrer "a perversidade cega dos povos da Itália". Ele achava insuportável o paganismo humanista que corrompia as maneiras, a arte, a poesia e a própria religião . Ele viu como a causa dessa corrupção propagação um clero vicioso, mesmo nos mais altos níveis da hierarquia da igreja .

Em 24 de abril de 1475, ele deixou a casa de seu pai e seus estudos médicos, em que ele tinha embarcado após ter tomado um diploma em artes liberais , para entrar noOrdem dominicana em Bolonha .Voltando a Ferrara quatro anos mais tarde, ele ensinou a Bíblia no Convento degli Angeli. O estudo da Escritura, juntamente com as obras de ThomasAquino , sempre foi sua grande paixão.

Carreira Em Florença.

Em 1482 Savonarola foi enviado a Florença para ocupar o cargo de conferencista no convento de San Marco, onde ganhou uma grande reputação por sua aprendizagem e ascetismo. Como um pregador, ele não teve êxito até que uma súbita revelação o inspirou a começar seus sermões proféticos. Em San Gimignano na Quaresma 1485 e 1486, ele apresentou suas famosas proposições: a igreja precisava ser reformada; seria flagelada e depois renovada.

No ano seguinte (1487) deixou Florença para se tornar mestre de estudos na escola de estudos gerais em Bolonha. Depois que o ano de sua nomeação terminou, ele foi enviado para pregar em várias cidades até Lorenzo de 'Medici usou sua influência para ter Savonarola enviado de volta para Florença, abrindo assim as portas lá para o inimigo mais amargo do domínio Medici. Tendo regressado à cidade de seu destino (1490), Savonarola pregou corajosamente contra os abusos tirânicos do governo. Demasiadamente tarde, Lorenzo tentou conter a eloquência perigosa com ameaças e lisonjas, mas sua própria vida estava chegando ao fim, enquanto o entusiasmo popular pela pregação de Savonarola aumentava constantemente. Logo depois Savonarola deu sua bênção ao moribundo Lorenzo. A lenda que ele recusou  a absolvição de Lorenzo  é refutada por provas documentais.


A Lei Medici não sobreviveu muito tempo a Lorenzo e foi derrubada com aInvasão de Charles VIII (1494). Dois anos antes, Savonarola tinha previsto sua vinda e sua vitória fácil. Essas profecias autênticas e a parte que ele havia desempenhado nas negociações com o rei e na moderação do ódio das facções após a mudança de governo aumentaram enormemente sua autoridade. Uma vez que os Medici tinham sido expulsos, Florença não tinha outro mestre além da terrível voz de Savonarola. Ele introduziu um governo democrático, o melhor que a cidade já teve. Foi acusado, mas injustamente, de interferir na política.Não era ambicioso nem intrigante. Ele queria fundar sua cidade de Deus em Florença, o coração da Itália , como uma república cristã bem-organizada que poderia iniciar a reforma da Itália e da igreja. Este era o objeto de todas as suas ações. Os resultados que ele obteve foram surpreendentes : a esplêndida mas corrupta capital do Renascimento , assim milagrosamente transformada, parecia a um contemporâneo ser um antegozo do paraíso.

Intrigas Políticas.

O triunfo de Savonarola era demasiado grande e repentino para não dar origem a ciúmes e suspeitas. Uma festa florentina Arrabbiati foi formadoa em oposição a ele. Esses inimigos internos formaram uma aliança com poderosas forças estrangeiras, em primeiro lugar o Duque de Milão e o Papa, que se juntaram na Santa Liga contra o rei da França e viram em Savonarola o principal obstáculo para a adesão de Florença. Foi depois, depois de uma firme rejeição da Liga por Florença, que o Papa enviou a Savonarola o escrito de 21 de julho de 1495, em que elogiou os milagrosos frutos da obra de Savonarola e chamou-o a Roma para pronunciar suas profecias de sua própria lábios. Como esse papa era o corrupto Alexander VI , a armadilha era óbvia demais. Savonarola pediu que lhe permitisse adiar a viagem, oferecendo a doença como desculpa.

O Papa pareceu estar satisfeito, mas em 8 de setembro, sob a pressão de seus amigos políticos e dos inimigos de Savonarola, enviou-lhe um segundo sumário no qual os elogios se transformaram em vituperação.Mandou-o ir a Bolonha sob pena de excomunhão. Savonarola respondeu a este estranho documento com respeitosa firmeza, apontando não menos de 18 erros nele. O breve foi substituído por outro de 16 de outubro, no qual ele foi proibido de pregar. Como o próprio Papa francamente confessou, foi a Liga Santa que insistiu.Depois de alguns meses, quando a Quaresma 1496 se aproximava, Alexandre VI, ao recusar aos embaixadores florentinos uma revogação formal da proibição, concedeu isso verbalmente. Assim Savonarola pôde dar seus sermões em Amos, entre seu mais fino e mais vigoroso, em que atacou a corte romana com vigor renovado. Ele também parecia referir-se à escandalosa vida privada do Papa, e este último se ofendeu com isso. Um colégio de teólogos não encontrou nada para criticar o que o frade tinha dito, de modo que depois da Quaresma ele pôde começar, sem mais remontagens de Roma, os sermões de Rute e Miquéias.

Naquela época, à medida que a autoridade de Savonarola crescia, o Papa tentava conquistá-lo oferecendo-lhe um chapéu de cardeal. Ele respondeu: "Um chapéu vermelho? Eu quero um chapéu de sangue. "Então Alexandre VI, pressionado pela Liga e Arrabbiati, montou um novo ataque. Em um escrito de 7 de novembro de 1496, ele incorporou a Congregação de San Marco, da qual Savonarola era vigário, com outro em que teria perdido toda a sua autoridade. Se ele obedecesse, suas reformas seriam perdidas. Se ele desobedecesse, seria excomungado.Savonarola, no entanto, enquanto protestava vigorosamente, não desobedeceu, porque ninguém se apresentou para pôr o resumo em vigor. Ele, portanto, continuou imperturbado no Advento de 1496 e na Quaresma de 1497 com sua série de sermões em Ezequiel. Durante a temporada de carnaval naquele ano, sua autoridade recebeu um tributo simbólico na "queima das vaidades", quando ornamentos pessoais, imagens lascivas, cartões e mesas de jogos foram queimados. A destruição de livros e obras de arte era desprezível.

Os acontecimentos na Itália agora se voltaram contra Savonarola, no entanto, e mesmo em Florença seu poder foi atenuado por desenvolvimentos políticos e econômicos desfavoráveis. Um governo de Arrabbiati o forçou a parar de pregar e incitou sacriléias contra ele no dia da Ascensão. Os Arrabbiati obtiveram do Tribunal Romano, por uma consideração financeira, a desejada bula de excomunhão contra seu inimigo. Com efeito, a excomunhão, além de ser sub-reptícia, estava cheia de erros tão óbvios de forma e substância que a tornava nula e vazia, e o próprio Papa teve de rejeitá-la. O governo florentino, entretanto, procurou em vão obter sua retirada formal; questões políticas mais amplas. Absorvido em estudo e oração, Savonarola ficou em silêncio. Somente quando Roma propôs um arranjo indigno, que fez a retirada da censura dependente da entrada de Florença na Liga, voltou novamente ao púlpito (Quaresma 1498) para dar esses sermões sobre Êxodo que marcou sua própria saída do púlpito e da vida . Logo ele foi silenciado pelo interdito com que a cidade foi ameaçada. Ele não tinha outra saída senão um apelo a um conselho da igreja, e ele começou um movimento nessa direção, mas depois queimou as cartas aos príncipes que ele já tinha escrito, a fim de não causar dissensão dentro da igreja.Uma vez que esta estrada foi fechada o único restante levou ao martírio.

Julgamento E Execução.

A imprudência dos mais apaixonados de seus seguidores, Fra Domenico da Pescia, levou os acontecimentos a um ponto. Fra Domenico tomou em sua palavra um franciscano que desafiou ao calvário pelo fogo qualquer um que manteve a invalidez da excomunhão de Savonarola. A Signoria e toda a população da cidade mais civilizada da Itália avidamente encorajaram aquela experiência bárbara, pois só ela parecia prometer a solução de um problema insuperável. Apenas Savonarola estava insatisfeito. O decreto, que atribuiu ao infortúneo Fra Domenico ele mesmo e um franciscano, declarou  que o perdedor seria quem se retirasse ou vacilasse. Na verdade, o franciscano não apareceu e, portanto, a provação não ocorreu. Savonarola, vitorioso pelos termos do decreto, foi culpado por não ter conseguido um milagre. No dia seguinte, a multidão liderada pelos Arrabbiati rioted, marchou a San Marco, e superou os defensores. Savonarola foi levado como um criminoso comum junto com Fra Domenico e outro seguidor. Depois de um exame por uma comissão de seus piores inimigos e depois de selvagem tortura, ainda era necessário falsificar o registro da investigação se ele fosse ser acusado de quaisquer crimes. Mas seu destino estava resolvido.Os comissários papais vieram de Roma "com o veredicto em seu seio", como um deles disse. Após o julgamento eclesiástico , que foi ainda mais superficial, foi entregue ao braço secular , com seus dois companheiros, para ser enforcado e queimado. O relato de suas últimas horas é como uma página da vida dos Padres da Igreja. Antes de montar o andaime ele piamente recebeu a absolvição do Papa e a plenáriindulgência .

Avaliação.

Na verdade, a discussão de Savonarola foi com a corrupção do clero, de quem Alexandre VI foi meramente o exemplo mais escandaloso, não com o pontífice romano, para quem ele sempre professava obediência e respeito. Ele era um reformador, mas católico e tomista até a medula. ;sua fé é confirmada em suas muitas obras, a maior das quais é o Triumphus crucis, uma exposição clara de apologética cristã. A obra dele: Compendium revelationum,  é um relato de visões e profecias que se tornou realidade, passou por muitas edições em vários países. De seus sermões, alguns existem em uma versão tirada literalmente .

Após a morte de Savonarola foi-lhe dedicado um culto, que teve uma longa história. Os santos canonizados pela igreja, como Philip Neri e Catherine de 'Ricci, o veneraram como um santo; Uma sala foi feita para ele, e os milagre que tinha executado foram documentados. Ele foi retratado em pinturas e medalhas com o título de beatus. No Acta sanctorum foi incluído entre os praetermissi. Quando o 500º aniversário de seu nascimento surgiu em 1952, falou-se novamente de sua canonização
." (Encyclopædia Britannica)
BIBLIOGRAFIA:
A História da Civilização VI- A Reforma. Will Durant. 2ª edição. Editora Record
História Ilustrada do Cristianismo. Vol. 1. Justo L. Gonzalez. São paulo: Vida Nova, 2ª edição, 2011.
O Cristianismo através dos séculos. Earle E. Cairns. São Paulo: Vida Nova. 2ª edição, 1998.
http://www.newadvent.org/cathen/13490a.htm
http://www.solanoportela.net/artigos/savonarola.htm
https://www.britannica.com/biography/Girolamo-Savonarola


A REFORMA PROTESTANTE

OS REFORMADORES DO SÉC. XVI


LUTERO
 Martinho Lutero nasceu ele em Eisleben, em 1483; era filho de um mineiro; com muitos sacrifícios o pai enviou Lutero a estudar na Universidade de Erfurt. Lutero desejava ser advogado, porém, repentinamente sentiu o chamado para a carreira de monge, e entrou para um mosteiro dos agostinianos. Foi ordenado monge, e bem depressa chamou a atenção de seus pais para a sua capacidade. Foi enviado a Roma, em 1510, mas voltou desiludido pelo que viu relativo ao mundanismo e à maldade na igreja. 

No ano de 1517 iniciou sua campanha de reformador, condenando a venda de "indulgências", ou perdão de pecados e, como já lemos, afixou as famosas teses na porta da igreja de Wittenberg. Ao ser excomungado, foi intimado a comparecer a Roma; por fim foi condenado "in absentia" pelo papa Leão X. Lutero, então, queimou a bula ou decreto do papa, em 1520. Foi na Dieta de Worms, em 18 de abril de 1521, que Lutero deu sua célebre resposta. Ao regressar ao lar, corria perigo de ser assassinado por seus inimigos. Surgiram então seus amigos, levaram-no para o castelo de Wartzburg onde ficou escondido durante um ano. Foi ali que realizou a tradução do Novo Testamento para o alemão. Ao regressar a Wittenberg assumiu novamente a direção do movimento da Reforma: No ano de 1529, fez-se um esforço para unir os seguidores de Lutero e os de Zuínglio, porém não se obteve êxito, em razão do espírito firme e inflexível de Lutero. Entre os muitos escritos que circularam em toda a Alemanha, de autoria de Lutero, o de maior influência foi, sem dúvida, sua incomparável tradução da Bíblia. Lutero morreu quando visitava o local em que nasceu, em Eisleben, a 18 de fevereiro de 1546, aos sessenta e três anos de idade.

O papa reinante, Leão X, em razão da necessidade de avultadas somas para terminar as obras do templo de S. Pedro em Roma, permitiu que um seu enviado, João Tetzel, percorresse a Alemanha vendendo bulas, assinadas pelo papa, as quais, dizia, possuíam a virtude de conceder perdão de todos os pecados, não só aos possuidores da bula, mas também aos amigos, mortos ou vivos, em cujo nome fossem as bulas compradas, sem necessidade de confissão, nem absolvição pelo sacerdote. Tetzel fazia esta afirmação ao povo: "Tão depressa o vosso dinheiro caia no cofre, a alma de vossos amigos subirá do purgatório ao céu." 

Lutero, por sua vez, começou a pregar contra Tetzel e sua campanha de venda de indulgências, denunciando como falso esse ensino. A data exata fixada pelos historiadores como início da grande Reforma foi registrada como 31 de outubro de 1517. Na manhã desse dia, Martinho Lutero afixou na porta da Catedral de Wittenberg um pergaminho que continha noventa e cinco teses ou declarações, quase todas relacionadas com a venda de indulgências; porém em sua aplicação atacava a autoridade do papa e do sacerdócio. Os dirigentes da igreja procuravam em vão restringir e lisonjear Martinho Lutero. Ele, porém, permaneceu firme, e os ataques que lhe dirigiam, apenas serviram para tornar mais resoluta sua oposição às doutrinas não apoiadas nas Escrituras Sagradas.

 Após longas e prolongadas controvérsias e a publicação de folhetos que tornaram conhecidas as opiniões de Lutero em toda a Alemanha, seus ensinos foram formalmente condenados. Lutero foi excomungado por uma bula 6 do papa Leão X, no mês de junho de 1520. Pediram então ao eleitor Frederico da Saxônia que entregasse preso Lutero, a fim de ser julgado e castigado. Entretanto, em vez de entregar Lutero, Frederico deu-lhe ampla proteção, pois simpatizava com suas idéias. 

Martinho Lutero recebeu a excomunhão como um desafio, classificando-a de "bula execrável do anticristo". No dia 10 de dezembro, Lutero queimou a bula, em reunião pública, à porta de Wittemberg, diante de uma assembléia de professores, estudantes e do povo. Juntamente com a bula, Lutero queimou também có- pias dos cânones ou leis estabelecidas por autoridades 6 Os decretos do papa chamavam-se "bulas"; a palavra bula quer dizer "selo". O nome é aplicado a qualquer documento selado com selo oficial. romanas. Esse ato constituiu a renúncia definitiva de Lutero à igreja católica romana. Em 1521 Lutero foi citado a comparecer ante a Dieta do Concílio Supremo do Reno. O novo imperador Carlos V concedeu um salvo-conduto a Lutero, para comparecer em Worms. Apesar de advertido por seus amigos de que poderia ter a mesma sorte de João Huss, que nas mesmas circunstâncias, no Concílio de Constança, em 1415, apesar de possuir um salvo-conduto, foi morto por seus inimigos, Lutero respondeu-lhes: "Irei a Worms ainda que me cerquem tantos demônios quantas são as telhas dos telhados." Finalmente, no dia 17 de abril de 1521 Lutero compareceu ante a Dieta, presidida pelo imperador. Em resposta a um pedido de que se retratasse, e renegasse o que havia escrito, após algumas considerações respondeu que não podia retratar-se, a não ser que fosse desaprovado pelas Escrituras e pela razão, e terminou com estas palavras: "Aqui estou. Não posso fazer outra coisa. Que Deus me ajude. Amém."

 Instaram com o imperador Carlos para que prendesse Lutero, apresentando como razão, que a fé não podia ser confiada a hereges. Contudo, Lutero pôde deixar Worms em paz. Enquanto viajava de regresso à sua cidade, Lutero foi cercado e levado por soldados do eleitor Frederico para o castelo de Wartzburg, na Turíngia. Ali permaneceu Lutero guardado, em segurança e disfarçado, durante um ano, enquanto as tempestades de guerra e revoltas rugiam no império. 

Entretanto, durante esse tempo, Lutero não permaneceu ocioso; nesse período traduziu o Novo Testamento para a língua alemã, obra que por si só o teria imortalizado, pois essa versão é considerada como o fundamento do idioma alemão escrito. Isto aconteceu no ano de 1521. O Antigo Testamento só foi completado alguns anos mais tarde. Ao regressar do castelo de Wartzburg a Wittenberg, Lutero reassumiu a direção do movimento a favor da igreja Reformada, exatamente a tempo de salvá-la de excessos extravagantes. A divisão dos vários estados alemães, em ramos Reformados e romanos, deu-se entre o Norte e o Sul. Os príncipes meridionais, dirigidos pela Áustria, aderiram a Roma, enquanto os do Norte se tornaram seguidores de Lutero. Em 1529 a Dieta reuniu-se na cidade de Espira, com o objetivo de reconciliar as partes em luta. Nessa reunião da Dieta os governadores católicos, que tinham maioria, condenaram as doutrinas de Lutero. Os príncipes resolveram proibir qualquer ensino do luteranismo nos estados em que dominassem os católicos. Ao mesmo tempo determinaram que nos estados em que governassem luteranos, os católicos poderiam exercer livremente sua religião. Os príncipes luteranos protestaram contra essa lei desequilibrada e odiosa. Desde esse tempo ficaram conhecidos como protestantes, e as doutrinas que defendiam também ficaram conhecidas como religião protestante.

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Na noite antes do dia de todos os santos, em 31 de outubro de 1517 Martinho Lutero fixou na porta do castelo-igreja de Wittenberg as suas 95 teses acadêmicas, onde neste ida as relíquias reunidas pelo eleitor eram ali reunidas, e esperavam grande multidão.

"O costume de anunciar publicamente as teses...era um velho costume das universidades medievais,e a porta que Lutero usou para usa proclamação tinha sido empregada regularmente como quadro dos boletins acadêmicos. Acrescentou a essas teses um convite amável:

Devido ao amor pela fé e ao desejo de traze-la à luz, as seguintes proposições serão discutidas em Wittenberg sob a presidência do reverendo padre Martinho Lutero. Doutor de Humanidades e Teologia Sacra e Coadjutor do Ordinário sobre tais ciências nesse lugar. Pelo que pede os que estiverem incapacitados de comparecer e debater  oralmente o façam por carta" (A História da Civilização- A Reforma. Will Durant, Rio de Janeiro: Record. 2ª edição p. 286)

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Teses que questionam o Papa e sua idoneidade:

6, 21,34,84, 86

Teses que questionam as indulgencias:

21,32,33,34,40,44,,49,52,66,67, 76, 85

tese 76 mostra que a indulgencia apenas livra da pena imposta da autoridade eclesiastica como por exemplo: dar esmolas, fazer orações, jejuns.Basta ver a tese 76

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AS 95 TESES DE LUTERO

Debate para o esclarecimento do valor das indulgências


"Por amor à verdade e no empenho de elucidá-la, discutir-se-á o seguinte em Wittenberg, sob a presidência do reverendo padre Martinho Lutero, mestre de Artes e de Santa Teologia e professor catedrático desta última, naquela localidade. Por esta razão, ele solicita que os que não puderem estar presentes e debater conosco oralmente o façam por escrito, mesmo que ausentes. Em nome do nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.


1 Ao dizer: "Fazei penitência*", etc. [Mt 4.17], o nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo quis que toda a vida dos fiéis fosse penitência.
* A penitencia dividia-se em 3 partes:

  • sentir tristeza pelo pecado
  • confessar o pecado
  • satisfação (vigílias, jejuns, varas)
Lutero defendeu que as indulgencias oferecidas pela igreja eliminavam a contrição e a confissão e que a satisfação na verdade era feita pela renovação da vida como consequência da fé na graça de Deus.

2 Esta penitência não pode ser entendida como penitência sacramental (isto é, da confissão e satisfação celebrada pelo ministério dos sacerdotes).

3 No entanto, ela não se refere apenas a uma penitência interior; sim, a penitência interior seria nula, se, externamente, não produzisse toda sorte de mortificação da carne.

4 Por conseqüência, a pena perdura enquanto persiste o ódio de si mesmo (isto é a verdadeira penitência interior), ou seja, até a entrada do reino dos céus.

O papa não quer nem pode dispensar de quaisquer penas senão daquelas que impôs por decisão própria ou dos cânones.

O papa não pode remitir culpa alguma senão declarando e confirmando que ela foi perdoada por Deus, ou, sem dúvida, remitindo-a nos casos reservados para si; se estes forem desprezados, a culpa permanecerá por inteiro.

7 Deus não perdoa a culpa de qualquer pessoa sem, ao mesmo tempo, sujeitá-la, em tudo humilhada, ao sacerdote, seu vigário.

8 Os cânones penitenciais são impostos apenas aos vivos; segundo os mesmos cânones, nada deve ser imposto aos moribundos.

9 Por isso, o Espírito Santo nos beneficia através do papa quando este, em seus decretos, sempre exclui a circunstância da morte e da necessidade.

10 Agem mal e sem conhecimento de causa aqueles sacerdotes que reservam aos moribundos penitências canônicas para o purgatório.

11 Essa erva daninha de transformar a pena canônica em pena do purgatório parece ter sido semeada enquanto os bispos certamente dormiam.

12 Antigamente se impunham as penas canônicas não depois, mas antes da absolvição, como verificação da verdadeira contrição.

13 Através da morte, os moribundos pagam tudo e já estão mortos para as leis canônicas, tendo, por direito, isenção das mesmas.

14 Saúde ou amor imperfeito no moribundo necessariamente traz consigo grande temor, e tanto mais, quanto menor for o amor.

15 Este temor e horror por si sós já bastam (para não falar de outras coisas) para produzir a pena do purgatório, uma vez que estão próximos do horror do desespero.

16 Inferno, purgatório e céu parecem diferir da mesma forma que o desespero, o semidesespero e a segurança.

17 Parece desnecessário, para as almas no purgatório, que o horror diminua na medida em que cresce o amor.

18 Parece não ter sido provado, nem por meio de argumentos racionais nem da Escritura, que elas se encontram fora do estado de mérito ou de crescimento no amor.

19 Também parece não ter sido provado que as almas no purgatório estejam certas de sua bem-aventurança, ao menos não todas, mesmo que nós, de nossa parte, tenhamos plena certeza.

20 Portanto, sob remissão plena de todas as penas, o papa não entende simplesmente todas, mas somente aquelas que ele mesmo impôs.

21 Erram, portanto, os pregadores de indulgências que afirmam que a pessoa é absolvida de toda pena e salva pelas indulgências do papa.

22 Com efeito, ele não dispensa as almas no purgatório de uma única pena que, segundo os cânones, elas deveriam ter pago nesta vida.

23 Se é que se pode dar algum perdão de todas as penas a alguém, ele, certamente, só é dado aos mais perfeitos, isto é, pouquíssimos.

24 Por isso, a maior parte do povo está sendo necessariamente ludibriada por essa magnífica e indistinta promessa de absolvição da pena.

25 O mesmo poder que o papa tem sobre o purgatório de modo geral, qualquer bispo e cura tem em sua diocese e paróquia em particular.

26 O papa faz muito bem ao dar remissão às almas não pelo poder das chaves (que ele não tem), mas por meio de intercessão.

27 Pregam doutrina humana os que dizem que, tão logo tilintar a moeda lançada na caixa, a alma sairá voando [do purgatório para o céu].

28 Certo é que, ao tilintar a moeda na caixa, podem aumentar o lucro e a cobiça; a intercessão da Igreja, porém, depende apenas da vontade de Deus.

29 E quem é que sabe se todas as almas no purgatório querem ser resgatadas? Dizem que este não foi o caso com S. Severino e S. Pascoal.

30 Ninguém tem certeza da veracidade de sua contrição, muito menos de haver conseguido plena remissão.

31 Tão raro como quem é penitente de verdade é quem adquire autenticamente as indulgênciasou seja, é raríssimo.

32 Serão condenados em eternidade, juntamente com seus mestres, aqueles que se julgam seguros de sua salvação através de carta de indulgência.

33 Deve-se ter muita cautela com aqueles que dizem serem as indulgências do papa aquela inestimável dádiva de Deus através da qual a pessoa é reconciliada com Deus.

34 Pois aquelas graças das indulgências se referem somente às penas de satisfação sacramental, determinadas por seres humanos.

35 Não pregam cristãmente os que ensinam não ser necessária a contrição àqueles que querem resgatar ou adquirir breves confessionais.

36 Qualquer cristão verdadeiramente arrependido tem direito à remissão pela de pena e culpa, mesmo sem carta de indulgência.

37 Qualquer cristão verdadeiro, seja vivo, seja morto, tem participação em todos os bens de Cristo e da Igreja, por dádiva de Deus, mesmo sem carta de indulgência.

38 Mesmo assim, a remissão e participação do papa de forma alguma devem ser desprezadas, porque (como disse) constituem declaração do perdão divino.

39 Até mesmo para os mais doutos teólogos é dificílimo exaltar perante o povo ao mesmo tempo, a liberdade das indulgências e a verdadeira contrição.

40 A verdadeira contrição procura e ama as penas, ao passo que a abundância das indulgências as afrouxa e faz odiá-las, pelo menos dando ocasião para tanto.

41 Deve-se pregar com muita cautela sobre as indulgências apostólicas, para que o povo não as julgue erroneamente como preferíveis às demais boas obras do amor.

42 Deve-se ensinar aos cristãos que não é pensamento do papa que a compra de indulgências possa, de alguma forma, ser comparada com as obras de misericórdia.

43 Deve-se ensinar aos cristãos que, dando ao pobre ou emprestando ao necessitado, procedem melhor do que se comprassem indulgências.

44 Ocorre que através da obra de amor cresce o amor e a pessoa se torna melhor, ao passo que com as indulgências ela não se torna melhor, mas apenas mais livre da pena.[imposta pelo Papa]

45 Deve-se ensinar aos cristãos que quem vê um carente e o negligencia para gastar com indulgências obtém para si não as indulgências do papa, mas a ira de Deus.

46 Deve-se ensinar aos cristãos que, se não tiverem bens em abundância, devem conservar o que é necessário para sua casa e de forma alguma desperdiçar dinheiro com indulgência.

47 Deve-se ensinar aos cristãos que a compra de indulgências é livre e não constitui obrigação.

48 Deve-se ensinar aos cristãos que, ao conceder indulgências, o papa, assim como mais necessita, da mesma forma mais deseja uma oração devota a seu favor do que o dinheiro que se está pronto a pagar.

49 Deve-se ensinar aos cristãos que as indulgências do papa são úteis se não depositam sua confiança nelas, porém, extremamente prejudiciais se perdem o temor de Deus por causa delas.

50 Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa soubesse das exações dos pregadores de indulgências, preferiria reduzir a cinzas a Basílica de S. Pedro a edificá-la com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.

51 Deve-se ensinar aos cristãos que o papa estaria disposto - como é seu dever - a dar do seu dinheiro àqueles muitos de quem alguns pregadores de indulgências extraem ardilosamente o dinheiro, mesmo que para isto fosse necessário vender a Basílica de S. Pedro.

52 Vã é a confiança na salvação por meio de cartas de indulgências, mesmo que o comissário ou até mesmo o próprio papa desse sua alma como garantia pelas mesmas.

53 São inimigos de Cristo e do papa aqueles que, por causa da pregação de indulgências, fazem calar por inteiro a palavra de Deus nas demais igrejas.

54 Ofende-se a palavra de Deus quando, em um mesmo sermão, se dedica tanto ou mais tempo às indulgências do que a ela.

55 A atitude do papa é necessariamente esta: se as indulgências (que são o menos importante) são celebradas com um toque de sino, uma procissão e uma cerimônia, o Evangelho (que é o mais importante) deve ser anunciado com uma centena de sinos, procissões e cerimônias.

56 Os tesouros da Igreja, dos quais o papa concede as indulgências, não são suficientemente mencionados nem conhecidos entre o povo de Cristo.

57 É evidente que eles, certamente, não são de natureza temporal, visto que muitos pregadores não os distribuem tão facilmente, mas apenas os ajuntam.

58 Eles tampouco são os méritos de Cristo e dos santos, pois estes sempre operam, sem o papa, a graça do ser humano interior e a cruz, a morte e o inferno do ser humano exterior.

59 S. Lourenço disse que os pobres da Igreja são os tesouros da mesma, empregando, no entanto, a palavra como era usada em sua época.

60 É sem temeridade que dizemos que as chaves da Igreja, que lhe foram proporcionadas pelo mérito de Cristo, constituem este tesouro.

61 Pois está claro que, para a remissão das penas e dos casos, o poder do papa por si só é suficiente.

62 O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus.

63 Este tesouro, entretanto, é o mais odiado, e com razão, porque faz com que os primeiros sejam os últimos.

64 Em contrapartida, o tesouro das indulgências é o mais benquisto, e com razão, pois faz dos últimos os primeiros.

65 Por esta razão, os tesouros do Evangelho são as redes com que outrora se pescavam homens possuidores de riquezas.

66 Os tesouros das indulgências, por sua vez, são as redes com que hoje se pesca a riqueza dos homens.

67 As indulgências apregoadas pelos seus vendedores como as maiores graças realmente podem ser entendidas como tal, na medida em que dão boa renda.

68 Entretanto, na verdade, elas são as graças mais ínfimas em comparação com a graça de Deus e a piedade na cruz.

69 Os bispos e curas têm a obrigação de admitir com toda a reverência os comissários de indulgências apostólicas.

70 Têm, porém, a obrigação ainda maior de observar com os dois olhos e atentar com ambos os ouvidos para que esses comissários não preguem os seus próprios sonhos em lugar do que lhes foi incumbido pelo papa.

71 Seja excomungado e maldito quem falar contra a verdade das indulgências apostólicas.

72 Seja bendito, porém, quem ficar alerta contra a devassidão e licenciosidade das palavras de um pregador de indulgências.

73 Assim como o papa, com razão, fulmina aqueles que, de qualquer forma, procuram defraudar o comércio de indulgências,

74 muito mais deseja fulminar aqueles que, a pretexto das indulgências, procuram defraudar a santa caridade e verdade.

75 A opinião de que as indulgências papais são tão eficazes ao ponto de poderem absolver um homem mesmo que tivesse violentado a mãe de Deus, caso isso fosse possível, é loucura.

76 Afirmamos, pelo contrário, que as indulgências papais não podem anular sequer o menor dos pecados veniais no que se refere à sua culpa.

77 A afirmação de que nem mesmo S. Pedro, caso fosse o papa atualmente, poderia conceder maiores graças é blasfêmia contra São Pedro e o papa.

78 Afirmamos, ao contrário, que também este, assim como qualquer papa, tem graças maiores, quais sejam, o Evangelho, os poderes, os dons de curar, etc., como está escrito em 1 Co 12.

79 É blasfêmia dizer que a cruz com as armas do papa, insignemente erguida, equivale à cruz de Cristo.

80 Terão que prestar contas os bispos, curas e teólogos que permitem que semelhantes conversas sejam difundidas entre o povo.

81 Essa licenciosa pregação de indulgências faz com que não seja fácil, nem para os homens doutos, defender a dignidade do papa contra calúnias ou perguntas, sem dúvida argutas, dos leigos.

82 Por exemplo: por que o papa não evacua o purgatório por causa do santíssimo amor e da extrema necessidade das almas - o que seria a mais justa de todas as causas -, se redime um número infinito de almas por causa do funestíssimo dinheiro para a construção da basílica - que é uma causa tão insignificante?

83 Do mesmo modo: por que se mantêm as exéquias e os aniversários dos falecidos e por que ele não restitui ou permite que se recebam de volta as doações efetuadas em favor deles, visto que já não é justo orar pelos redimidos?

84 Do mesmo modo: que nova piedade de Deus e do papa é essa: por causa do dinheiro, permitem ao ímpio e inimigo redimir uma alma piedosa e amiga de Deus, porém não a redimem por causa da necessidade da mesma alma piedosa e dileta, por amor gratuito?

85 Do mesmo modo: por que os cânones penitenciais - de fato e por desuso já há muito revogados e mortos - ainda assim são redimidos com dinheiro, pela concessão de indulgências, como se ainda estivessem em pleno vigor?

86 Do mesmo modo: por que o papa, cuja fortuna hoje é maior do que a dos mais ricos Crassos, não constrói com seu próprio dinheiro ao menos esta uma basílica de São Pedro, ao invés de fazê-lo com o dinheiro dos pobres fiéis?

87 Do mesmo modo: o que é que o papa perdoa e concede àqueles que, pela contrição perfeita, têm direito à remissão e participação plenária?

88 Do mesmo modo: que benefício maior se poderia proporcionar à Igreja do que se o papa, assim como agora o faz uma vez, da mesma forma concedesse essas remissões e participações 100 vezes ao dia a qualquer dos fiéis?

89 Já que, com as indulgências, o papa procura mais a salvação das almas do que o dinheiro, por que suspende ele as cartas e indulgências outrora já concedidas, se são igualmente eficazes?

90 Reprimir esses argumentos muito perspicazes dos leigos somente pela força, sem refutá-los apresentando razões, significa expor a Igreja e o papa à zombaria dos inimigos e desgraçar os cristãos.

91 Se, portanto, as indulgências fossem pregadas em conformidade com o espírito e a opinião do papa, todas essas objeções poderiam ser facilmente respondidas e nem mesmo teriam surgido.

92 Fora, pois, com todos esses profetas que dizem ao povo de Cristo: "Paz, paz!" sem que haja paz!

93 Que prosperem todos os profetas que dizem ao povo de Cristo: "Cruz! Cruz!" sem que haja cruz!

94 Devem-se exortar os cristãos a que se esforcem por seguir a Cristo, seu cabeça, através das penas, da morte e do inferno;

95 e, assim, a que confiem que entrarão no céu antes através de muitas tribulações do que pela segurança da paz."

BIBLIOGRAFIA
http://www.luteranos.com.br/lutero/95_teses.html
A História da Civilização- A Reforma. Will Durant, Rio de Janeiro: Record. 2ª edição

ZWINGLIO

A Reforma na Suíça despontou independente por completo do movimento na Alemanha, apesar de se haver manifestado simultaneamente, sob a orientação de Ulrico Zuínglio, o qual, em 1517, atacou "a remissão de pecados", que muitos procuravam por meio de peregrinações a um altar da Virgem de Einsieldn. No ano de 1522, Zuínglio rompeu definitivamente com Roma. A Reforma foi então formalmente estabelecida em Zurique, e dentro em breve tornou-se um movimento mais radical do que na Alemanha. Entretanto, o progresso desse movimento foi prejudicado por uma guerra civil entre cantões católico-romanos e protestantes, na qual Zuínglio morreu em 1531. Apesar de tudo, a reforma continuou a sua marcha, e mais tarde teve como dirigente João Calvino, o maior teólogo da igreja, depois de Agostinho; sua obra, "Instituições da Religião Cristã", publicada em 1536, quando Calvino tinha apenas vinte e sete anos, tornou-se regra da doutrina protestante.

CALVINO
João Calvino nasceu em Noyo, França, a 10 de julho de 1509 e morreu em Genebra, Suíça, a 27 de maio de 1564. Estudou em Paris, Orleans e Bourges. Aceitou os princípios de Reforma em 1528 e foi expulso de Paris. Em 1536, em Basiléia, publicou "Instituições da Religão Cristã" obra que se tornou a base da doutrina de todas as igrejas protestantes, menos a luterana.

 Em 1536, Calvino refugiou-se em Genebra, onde viveu até à morte, com exceção de alguns anos de exílio. A Academia Protestante que Calvino fundou, juntamente com Teodoro Beza e outros reformadores, transformou-se no centro principal do protestantismo na Europa. As teologias calvinista e luterana possuem características racionais e radicais que inspiraram os movimentos liberais dos tempos modernos, tanto no que se refere ao Estado como também à igreja, e contribuíram poderosamente para o progresso e para a democracia em todo o mundo. 

OS PILARES DA REFORMA

A palavra latina, sola, significa “somente” ou “apenas”, na língua portuguesa. As proposições teológicas da Reforma Protestante são os Cinco Solas, que são frases latinas que surgiram para enfatizar a diferença entre a teologia da reforma e a teologia romana. 



a) Sola Scriptura, somente as Escrituras, a Bíblia, é a fonte verdadeira da salvação e de toda verdade espiritual

Na época de Lutero a Igreja Católica dizia que eram 3 as fontes Canônicas:

  • Tradição da igreja, 
  • Magistério da Igreja
  • Bulas Papais (ex catedra)
Coerente com o seu ensino Lutero traduziu a Bíblia para o alemão, a fim de que todo o povo pudesse ter acesso e ler as Sagradas Escrituras. 
Apesar das divergências entre os reformadores, Calvino, Zwinglio e Lutero concordavam quanto à centralidade da Palavra de Deus e quanto à certeza de que a Escritura é a fonte de revelação da vontade de Deus.

b) Sola Gratiasomente a Graça de Deus é a fonte da nossa salvação.

Se ensinava que ao Mérito de Cristo deveria se unir os méritos pessoais, por meio de  boas obras.
Mas como somos pecadores por natureza (depravação total no sentido qualitativo), não somos capazes de sermos justos aos olhos de Deus


c) Sola Fide, somente a Fé é o meio pelo qual nos apropriamos da salvação efetivada por Cristo Jesus para o seu povo. Nem obras da Lei ou de boas obras.

 Romanos 1.17  “O justo viverá por fé”. Ou seja, Deus nos justifica, nos torna justos, não pelas nossas ações, mas pela ação de Cristo em nosso favor.  

Ef 2:8  Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus;
9  não de obras, para que ninguém se glorie.

10  Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.

O único meio de se salvar é acreditar na justificação feita por Cristo em nosso favor

d) Solus Christus,somente Cristo é a base da nossa salvação. 

As indulgencias oferecidas pela igreja com base nos méritos de Cristo, a doutrina do purgatório e autoridade do Papa se contrapunham ao ensino bíblico que somente em Jesus somos salvos.

Atos 4:12  E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.


e) Soli Deo Gloria – Glória a Deus somente.
A igreja prestava culto aos anjos (dulia), aos santos falecidos (dulia). a Maria (hiperdulia) e figuras eclesiásticas (dulia).
Jo 5:44  Como podeis crer, vós os que aceitais glória uns dos outros e, contudo, não procurais a glória que vem do Deus único?